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escrever sobre escrever

isso acontece sempre. abro uma página em branco do word e tento escrever sobre algo. algo que martela na minha mente há tempos, algo que me chama a atenção, algo que eu amo, algo que me incomoda. sei lá.  mas não consigo. não consigo porque assim que meus dedos começam a bater nessas teclas, assim que palavras começam a se formar na tela, assim que vejo minha consciência materializada em letras conectadas, meu fluxo de pensamento é quebrado. e dá lugar a uma ladainha metalinguística chatíssima, que me faz falar sobre a dificuldade de escrever. dificuldade de escrever da forma que eu gostaria, pelo menos. porque, felizmente, como exclamou uma tia distante ao ler um texto ~jornalístico~ meu, “essa menina foi alfabetizada direitinho!!!1!1”.

então penso que abraçar essa ladainha e rolar na lama com ela faça com que eu finalmente consiga tirá-la do meu caminho. como dois amantes em conflito que precisam de uma última emoção juntos antes de dar tchau. e faça com que da próxima vez que eu abrir uma página em branco do word, eu consiga escrever sobre o que estou com vontade de escrever.

mas não duvido nada que vou acabar inventando uma outra desculpa pra projetar o meu bloqueio.

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TOP 5 DIFICULDADYS

(totalmente de brinde: a voz do meu inconsciente em itálico)

1. “oh, meu deus, eu sou tão engraçada na vida real e tudo que escrevo me parece tão deprimente”

talvez você não seja tão engraçada assim?

2. “escrever é isso e aquilo e sinto que estou reduzindo toda a minha ~complexidade~ se eu não alcançar êxito em transmitir tal ideia/acontecimento”

escreve direito.

3. “como mesclar meu lado intelectual com o lado cultura pop – sem deixar de mencionar também a existência de tardes ociosas recheadas de cheesecake & siririca?”

como falar ~intelectual~, ~cultura pop~ e sintetizar os momentos de ócio sem parecer uma retardada?

4. “e se o receio de ser lida por familiares ou empregadores atrapalharem o meu processo de escrita?”

chegar atrasada no trabalho ou ser flagrada fazendo sexo por familiares é muito pior do que qualquer bloguinho idiota — ops.

5. “e se eu acabar gostando tanto daqui e um dia acabar até me autointitulando BLOGUEIRA?”

o seu eu de agora viajará no tempo para dar um pescotapa no seu eu futuro, não se preocupe.

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talvez um dos males dessa era internética seja esse: nos achamos todos especiais demais. e essa é também uma grande benção, porque somos todos especiais demais, não é mesmo?

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the bitch is back

sou meio bipolar virtualmente —– e equilíbrio não é também o meu forte na vida ~real~. abro blog, fecho blog. escrevo, deleto tudo e depois me arrependo. esse blog aqui, por exemplo, tinha umas coisas que eu gostava bastante (como os relatos do curso de gênero, raça e etnia que fiz ano passado, em maceió). já era. a raiz desse problema é anterior à minha relação com a internet. sempre tive o hábito de jogar fora desenhos, rabiscos, textos escritos no papel. parei com isso tem pouco tempo. acho que é um misto de mania de perseguição (tenho a paranoia de que sempre vão xeretar as minhas coisas, porque sempre xereto as dos outros) com uma espécie de medinho egocêntrico, tipo ~oh, o todo que sou não pode ser definido por um pequeno conjunto de traços ou palavras~. na vida online, rola também o medo da exposição, por questões de segurança ou de zelo com a própria imagem. afinal, geral pode ver isso aqui, né?

não quero ser mais uma pessoa contribuindo com o depósito de lixo neste maravilhoso e democrático mundo virtual (cof, cof), escrevendo um monte de merda que passa pela minha cabeça. mas é o que já estou fazendo. o que todos nós (que temos acesso à internet, pelo menos) estamos fazendo. diariamente. então decidi parar de me iludir —– vejam bem, ilusão é diferente de planejamento. como diz o senso comum, que de vez em quando acerta, “(insira aqui qualquer palavra: luto, sucesso, motivação) é um processo, não um evento”. não vou repentinamente aproveitar o meu tempo ~útil~  com mais qualidade, como sempre fantasio nos momentos de desespero em que estou com prazos atrasados, comendo que nem uma louca e sem fazer qualquer tipo de exercício físico há semanas. nem vou sentar na praça de alimentação de um shopping, enquanto mato tempo entre um compromisso e outro, com um molesquinho capenga e achando que os passantes fedendo à gordura do mc donalds irão trazer grandes inspirações que serão impressas com estilo nas páginas do meu caderninho —– e depois em páginas de livros com resenhas que dirão que sou a voz de uma geração. muito menos fazer esse tipo de coisa num local em que as pessoas fazem esse tipo de coisa, tipo, sei lá. um café.

então vou ter um blog de novo.  rá, rá, rá.

que merda.