três

nós desatados. nós frouxos, que nunca irão se soltar. nós dos dedos. nós: eu, você, eles, elas. um bolo confuso, laços unidos, fiapos soltos. etc. eu adoro essa palavra. nós, nós, nós. não que eu goste necessariamente de todos os múltiplos significados que se desdobram dela. talvez eu goste mesmo é da possibilidade de espremer tanta coisa de algo tão simples. três letras e uma gama de associações.

—–

ao mesmo tempo, eu odeioodeioodeio associações. e joguinhos de palavras. e pessoas que acham esse tipo de coisa genial. odeio quem acha algo ~genial~ e odeio a ~genialidade~. eu odeio clássicos e odeio sacralizações. odeio um monte de coisas. odiar é fácil.

e você me ensinou.

eu tinha medo das palavras. ódio, azar, desgraça. alguém sempre dizia que verbalizá-las poderia atrair seus significados. porra nenhuma, “a boca é minha, falo o que quiser”. só que, no fundo, eu continuava com medo. ter medo também é fácil. direciona mais objetivamente o sentido da culpa. seja a sentida ou a atribuída.

—–

tudo aconteceu num estalo, numa convicção, como se todas as outras vezes tivessem sido um ensaio para esse momento definitivo. palavras, ódio, medo. nós deixando de existir.

foi uma surpresa.

eu já esperava.

desde então, desempilho frágeis certezas construídas ao longo do tempo, como quem quer doar uma roupa antiga mas não tem certeza se, algum dia, ela vai voltar à moda.

—–

“odeio todo mundo, menos você”

e eu já não entendo mais nada.

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