the bitch is back

sou meio bipolar virtualmente —– e equilíbrio não é também o meu forte na vida ~real~. abro blog, fecho blog. escrevo, deleto tudo e depois me arrependo. esse blog aqui, por exemplo, tinha umas coisas que eu gostava bastante (como os relatos do curso de gênero, raça e etnia que fiz ano passado, em maceió). já era. a raiz desse problema é anterior à minha relação com a internet. sempre tive o hábito de jogar fora desenhos, rabiscos, textos escritos no papel. parei com isso tem pouco tempo. acho que é um misto de mania de perseguição (tenho a paranoia de que sempre vão xeretar as minhas coisas, porque sempre xereto as dos outros) com uma espécie de medinho egocêntrico, tipo ~oh, o todo que sou não pode ser definido por um pequeno conjunto de traços ou palavras~. na vida online, rola também o medo da exposição, por questões de segurança ou de zelo com a própria imagem. afinal, geral pode ver isso aqui, né?

não quero ser mais uma pessoa contribuindo com o depósito de lixo neste maravilhoso e democrático mundo virtual (cof, cof), escrevendo um monte de merda que passa pela minha cabeça. mas é o que já estou fazendo. o que todos nós (que temos acesso à internet, pelo menos) estamos fazendo. diariamente. então decidi parar de me iludir —– vejam bem, ilusão é diferente de planejamento. como diz o senso comum, que de vez em quando acerta, “(insira aqui qualquer palavra: luto, sucesso, motivação) é um processo, não um evento”. não vou repentinamente aproveitar o meu tempo ~útil~  com mais qualidade, como sempre fantasio nos momentos de desespero em que estou com prazos atrasados, comendo que nem uma louca e sem fazer qualquer tipo de exercício físico há semanas. nem vou sentar na praça de alimentação de um shopping, enquanto mato tempo entre um compromisso e outro, com um molesquinho capenga e achando que os passantes fedendo à gordura do mc donalds irão trazer grandes inspirações que serão impressas com estilo nas páginas do meu caderninho —– e depois em páginas de livros com resenhas que dirão que sou a voz de uma geração. muito menos fazer esse tipo de coisa num local em que as pessoas fazem esse tipo de coisa, tipo, sei lá. um café.

então vou ter um blog de novo.  rá, rá, rá.

que merda.

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